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Por que uns têm tanto e outros não têm nada?

ricos x pobres diferença

Uma das queixas mais frequentes na face da Terra é: por que uns têm tanto e outros não têm nada? Qualquer pessoa que estudou os fundamentos de economia das diversas escolas sabe a resposta, e ela é muito simples de entender e vale para indivíduos, empresas e nações.

Ela se baseia em apenas uma diferença, da qual todo o resto deriva. Alguns têm muito e outros não têm nada por causa da:

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A culpa que os cidadãos têm em engordar os lucros dos bancos

lições mais importantes sobre finanças

Este é o momento de revolta contra os bancos, seus lucros e o consumismo do povo brasileiro, que os alimenta. Todos reclamam que os bancos ganham muito dinheiro e exploram a população, mas se recusam a mudar comportamentos que alimentam esse quadro. Há muita hipocrisia e ignorância por parte dos brasileiros com relação aos bancos.

Mas preciso falar que as instituições financeiras ganham bilhões por aqui por um único motivo:

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Dívida e consumismo: as drogas mais nocivas à sociedade

Muito se fala sobre o mal que as drogas lícitas e ilícitas causam. Claro que elas são terríveis e as consequências deletérias leva uma parcela significativa da sociedade à ruína. Mas existem dois vícios relacionados que também são muito perigosos porque atingem uma parcela muito maior da sociedade, apesar de os danos serem apenas à saúde mental: o consumismo desenfreado e a dívida contraída para sustentá-lo.

Consumismo e dívidas trazem doenças, danos à saúde física e mental, destroem famílias, causam divórcios, falências empresariais, desemprego e miséria total. Ressalto que a nocividade do consumismo e dívidas é subestimado em nossa sociedade, e deveria ser considerado uma epidemia, com atuação forte do governo e de profissionais na prevenção, como ocorre com viciados em drogas, tabaco e álcool. O que nos resta é a educação que os pais dão em casa, muitas vezes eles próprios levando à dependência do consumo.

Um brasileiro que tenha um saldo bancário de 1 real e não tenha dívidas de nenhum tipo é mais “rico” que 40% da população. Ou seja, 40% das pessoas ainda ficariam com débitos se vendessem tudo o que tem. Isso é alarmante e mostra o quanto o problema é grave.

Ainda existem outras pessoas que possuem bens financiados, como imóveis e carros, mas que se perderem sua fonte de renda, não teriam como arcar e veriam seu patrimônio virar pó. os que estão nessa situação representam mais 20%. Elas têm a crença de que não se constrói patrimônio sem fazer dívidas, o que pode ser muito perigoso se feito de forma imprudente.

Somente 25% dos brasileiros possuem poupança ou algum investimento, o que é bastante preocupante, pois se alguma despesa imprevista como um conserto caro de imóvel ou carro, ou doença não coberta pelo plano de saúde podem forçar a pessoa a contrair dívidas e prejudicar seu bem-estar e de sua família.

Quais são as causas desse problema social grave?

  1. Falta de educação financeira formal – Apesar de haver vasto material sobre educação financeira no mercado, não aprendemos educação financeira na escola. Isso significa que apenas uma minoria irá atrás do conhecimento de maneira voluntária, ou forçada por uma situação difícil na qual precisa de uma saída urgente. Dinheiro ainda é tabu na maioria das famílias e a escola não aborda, por isso a sociedade precisa vencer esta barreira como já superou outras, pelo bem do povo.
  2. Educação financeira pobre em casa – Como as crianças não tiveram educação financeira na escola, a maioria aprende sobre ela em casa com os pais, familiares ou amigos. O problema grave é que estas pessoas frequentemente têm maus hábitos em lidar com o dinheiro, transmitindo conhecimentos equivocados e perpetuando erros e maus ensinamentos como “o dinheiro é a raiz de todo o mal”, “dinheiro não traz felicidade”, “quem tem dinheiro resolve todos os problemas”, “os ricos são maus e gananciosos”, “só fica rico quem faz coisas erradas”, dentre milhares. Tudo isso deseduca o povo e leva as pessoas a viverem uma vida cheia de dívidas.
  3. Excesso de marketing e oferta de produtos – Todo ser humano deseja o melhor para si e para os que estima, e isso inclui a compra de produtos e serviços que atendam suas necessidades. Esta é uma necessidade legítima, até o ponto em que se passa a comprometer toda a renda ou até mais do que ganha para satisfazer esses desejos, levando à ruína financeira. Uma pessoa que atende a todos os apelos do consumo vira escrava do sistema e as consequências são gravíssimas a longo prazo. Quando a sociedade despertar para isso, as pessoas serão mais saudáveis e felizes.
  4. Grande oferta de crédito – Nos últimos dez anos, o aumento da oferta de crédito tem sido estimulada pelo governo e o bancos atenderam. A isso se soma o aumento da bancarização da população, que passou a ter acesso a estes empréstimos sem ser instruída sobre como eles funcionam, o quanto eles custam e como obter as condições mais vantajosas, tem sido péssima para a saúde financeira dos brasileiros especialmente os mais pobres. O consumidor vai ao caixa eletrônico e aparece na tela a mensagem “Você tem R$ 2.000,00 disponíveis no crédito pessoal instantâneo. Deseja contratar agora?”. E a pessoa que muitas vezes nem queria fazer o financiamento é seduzida pela facilidade de obtenção, mas isso tem uma armadilha: as taxas de juros são altíssimas, o que significa dizer que um empréstimo em 12 meses tem encargos de mais de 100% no período, ou seja, paga-se o dobro para o banco.
  5. Cheque especial e cartão de crédito – Duas armas de destruição em massa, principalmente em mãos incautas. Entrar no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito equivale a pegar um empréstimo, mas a taxa altíssimas, que ultrapassam facilmente 300% ao ano. Isso significa que quem empresta R$ 1 mil no cartão de crédito pagará mais de R$ 4 mil ao final de um ano, sendo que R$ 3 mil são só de juros. Quando se junta crédito fácil e muita vontade de consumir, está armada a arapuca, que aprisionará o devedor por muitos anos.
  6. Financiamentos de longo prazo – Geralmente feitos para aquisição de bens de alto valor, como veículos ou imóveis. Apesar de as taxas de juros serem menores, costumam comprometer grande parte da renda por um longo período, podendo gerar queda da qualidade de vida por conta do achatamento dos ganhos disponíveis e causar problemas gravíssimos em caso de perda de emprego ou falência. Na crise das hipotecas subprime que ocorreu em 2008 nos EUA, muitas pessoas financiaram imóveis que se desvalorizaram e perderam o emprego. Foram à bancarrota quando ficaram com dívidas enormes, além de perder o imóvel. Como não se sabe o que ocorrerá daqui a 10 ou 20 anos, esse tipo de empréstimo exige cuidado redobrado.
  7. Características culturais do brasileiro – O brasileiro é consumista por natureza, cultura esta aprendida com os americanos. Os brasileiros gostam de ter o que há de melhor e mais caro, gostam de se exibir, de viajar e de desfrutar dos melhores restaurantes e viagens disponíveis. Por aqui, esta característica é mais marcante do que em outros povos, e esta sede de viver o hoje e o agora tem trazido sérios problemas financeiros a cerca de metade da população.

E qual é a solução para isso? O exato oposto do descrito acima. Levar as pessoas a refletir sobre o que, quando e quanto consomem, fomentar a educação financeira, ensinar a usar o crédito com consciência e da maneira corretas, estimular a poupança e investimento a níveis semelhantes ao de países desenvolvidos e trabalhar as questões culturais, para que as pessoas desfrutem de mais produtos e serviços preservando a saúde financeira. Desprogramar crenças pobres sobre dinheiro incutidas na mente das crianças, que atrapalham na relação saudável com as finanças e levam a sérios problemas, se não tratado.

Toda esse descaso com os problemas financeiros da população e a falta de seriedade em seu enfrentamento tem prejudicado enormemente as pessoas e famílias, especialmente as mais pobres. Muito há de ser feito por todos e um longo caminho será percorrido. Tenho fé que a sociedade compreenderá melhor as questões financeiras.