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A importância de ter metas

A grande massa simplesmente existe. Vive sem sonhos e objetivos, no melhor estilo “deixa a vida me levar”, o que sempre termina em grande frustração com a vida, falta de propósito, sensação de vazio, questionamentos existenciais e outras percepções que fazem a pessoa se perguntar “o que eu estou fazendo neste mundo, estou perdido”.

Por sorte, passei por este período no início da minha adolescência e busquei obstinadamente uma resposta para acabar com aquele vazio existencial. Falei com muitas pessoas, desde psicólogos, meus pais, amigos mais velhos, pessoas que eu admirava, e recebi várias respostas parecidas, que se resumem em:

VOCÊ PRECISA DESCOBRIR QUAL É O SEU PROPÓSITO NA VIDA

E trabalhar para que ela vire realidade, com todos os meios que estiverem à mão. Só isso vai preencher o seu tempo e a sua mente e, consequentemente, acabar com o vazio. Deve-se reafirmar que este propósito deve ser claro e facilmente explicável, pois só se luta por aquilo que se conhece bem.

Determinar objetivos vagos como “quero ganhar um milhão de reais”, “quero viajar o mundo todo” ou “quero não ter mais que trabalhar” não ajudam muito, pois as pessoas que atingem esses sonhos costumam levar décadas para alcançá-los, deixando os meios para se consegui-los muito nebulosos, atrapalhando ou anulando o processo logo de saída. Uma meta muito ambiciosa assusta, e o indivíduo desiste depois de pouco tempo, dizendo “isso é muito difícil, não dá para mim”.

A melhor forma é criar objetivos paralelos e independentes, de forma que o conjunto deles componha a visão principal. Vale ressaltar que estes objetivos devem ser relacionados, para não perder o foco. Não faz sentido falar que pretende comprar um imóvel, montar uma empresa, morar 5 anos no exterior e casar até os 30 anos, pois há um excesso de compromissos sem vínculo em pouco tempo. Vale ressaltar que diversos objetivos dependem de fatores externos, como casar, e fixar um prazo arbitrário pode trazer frustrações e levar a pessoa a tomar decisões ruins. Prazos são uma boa base para determinar a quantidade de esforço para buscar a meta, mas certa flexibilidade é exigida em muitos casos.

Em uma determinada época, pode ser mais fácil avançar mais em uma meta do que em outra, e isso deve sempre ser otimizado. Por exemplo, se a pessoa deseja fazer um curso superior difícil para ingressar em uma atividade que lhe agrada, deve priorizá-lo enquanto for muito jovem, pois ganhará tempo para construir uma carreira sólida. Após certo tempo, outras responsabilidades como família e outros trabalhos consumirão seu tempo e sua energia, retardando muito sua conquista. Por isso, o timing é fundamental, isto é, fazer as coisas certas na hora certa, para desfrutar dos bons resultados o mais rápido possível.

Ainda na questão o timing, é importante não buscar os objetivos tarde demais nem cedo demais. Batalhar por algo com o qual não se tem recursos para obter resulta em esforço sem resultado, o qual poderia fazer avançar outros pontos mais importantes. Um exemplo reside na pessoa que compra um imóvel muito cedo, consumindo os recursos que poderiam ser investidos na sua formação, como pós-graduações e cursos de línguas, o que pode comprometer a renda futura. Constituir família muito cedo também pode atrapalhar, pois o tempo que poderia ser utilizado para o estudo passa a ser usado nas atividades domésticas e familiares. Como meu pai me dizia: não adianta correr atrás do bonde que já passou nem ficar parado esperando um bonde que vai passar ano que vem.

Pela mesma lógica, alguns objetivos dependem de outros para serem alcançados. Assim, para se chegar à meta B, é necessário atingir a A primeiro. Exemplo: um profissional deseja conquistar uma vaga que exige uma certificação difícil de se obter, que por sua vez exige um MBA e vasta experiência na área. O indivíduo está cursando faculdade na área. Assim, pode-se observar que este grande objetivo contém cinco passos: 1 – concluir a graduação. 2 – receber o título de MBA. 3 – passar na prova e receber a certificação. 4 em paralelo com os demais – trabalhar na área para adquirir experiência. 5 – fazer entrevistas e conquistar a vaga. Este fluxo desmembra o grande sonho em cinco passos necessários, e é importante fazer isso para trazer clareza à razão de tanto esforço. Mantendo o foco, é mais fácil continuar persistindo.

O  mais importante de buscar objetivos é ter visão sistêmica, sem dúvida. Isto é, encadear todos os objetivos que vão resultar na realização do sonho como um todo, em uma sequência detalhada. Imagine o seguinte: o sonho de uma pessoa de 18 anos é ter uma empresa de arquitetura de sucesso, comprar um apartamento em um bairro nobre, viajar o mundo inteiro e constituir família e ter dois filhos que estudem nas melhores escolas até os 40. Ambicioso? Sem dúvida. Aí alguém vai dizer “essa pessoa tem expectativas irreais, vai viver frustrada”. É inatingível: Claro que não. Observe como a visão sistêmica do sonho ajuda a enxergar o caminho. Vamos separar em metas e passos:

  • Meta (1): Atuar como empresário na área de arquitetura
  • Meta (2): Obter boa entrada de recursos financeiros
  • Meta (3): Viajar o mundo inteiro
  • Meta (4): Comprar um apartamento em bairro nobre
  • Meta (5): Constituir família e prover boas escolas

Passo (1): Cursar a faculdade de arquitetura – essencial para trabalhar com o que deseja e o início do caminho para atingir a meta (1).

Passo (2) : Adquirir experiência na área de arquitetura – o passo (1) é pre-requisito e correm em paralelo – Se a pessoa deseja ser empresária nesta área, é prudente trabalhar com quem já atua, a fim de ganhar vivência profissional. Busca as metas (1) e (2).

Passo (3): Aprender inglês – está possivelmente vinculado aos passos (1) e (2) e está relacionado com a meta (3), que será viajar o mundo inteiro.

Passo (4) – Abrir uma empresa de arquitetura – a pessoa acredita que ser empresário proverá mais recursos financeiros, a meta (2). Por isso, busca todos os recursos para que isso aconteça, se empenhando arduamente na consecução do objetivo, tido como central por ser necessário para a consecução dos demais.

Passo (5) – Buscar formação empresarial sólida – o indivíduo em questão detectou a necessidade de adquirir novos conhecimentos além de sua graduação, então decide fazer MBA´s e cursos complementares em administração. Apesar de preferir arquitetura, a meta (1), este passo está relacionado com a meta (2), por isso ele estuda mais. Corre em paralelo com o passo (4).

Como podemos observar, os passos de (1) a (5) se referem quase totalmente às metas (1) e (2), que são a base para que as seguintes se concretizem. Porém, como os recursos financeiros para a sua realização são limitados, o protagonista decide escaloná-los e alcançá-los gradativamente, visto que eles correm em paralelo com as metas (1) e (2), apesar de sua dependência delas. Assim:

Passo (6) – Viajar o mundo inteiro – simplesmente a consecução da meta (3), é totalmente independente dos outros e tem a vida inteira para ser atingido – pelo fato de seu custo poder ser distribuído em seu prazo grande, é conquistado gradativamente, de viagem em viagem, deixando as mais baratas e radicais primeiro e as mais caras e confortáveis para depois. O indivíduo decide fazer uma por ano, a fim de não prejudicar as metas (4) e (5).

Passo (7): Acumular recursos financeiros em investimentos – este passo está vinculado com os passos de (1) a (5), pertence à meta (2) e é pré-requisito das metas (3), (4) e (5), especialmente da (4). Nosso protagonista sabe que para ter um apartamento em bairro nobre há um enorme consumo de recursos financeiros e ele decide se preparar.

Passo (8): Procurar uma pessoa para dividir a vida – é parte importante da meta (5) – assim como o passo (6), é totalmente independente das demais metas e sua realização pode ter prazo incerto, pois depende de fatores externos. Como é um dos últimos passos para a realização do propósito da vida, é o mais fácil de ser ajustado aos demais. Assim, a pessoa em questão decide que a meta (5) tem como pré-requisito a realização das metas (1) e (2) e boa parte da meta (3). E a meta (4) é dependente do casamento, o passo (8), pois o apartamento em bairro nobre será comprado em conjunto, o passo (9).

Passo (9): Comprar o apartamento, a meta (4) – tem como pré-requisito a conclusão do passo (8) e é a penúltima ação para alcançar o propósito. Chegar até aqui é sinal de que as coisas estão dando certo, mesmo que em uma ordem diferente da escrita acima. É a meta (4) atingida.

Passo (10): Constituição da família –  O último passo para o atingimento do propósito da vida, a realização plena dos ideais, dependente de todo o esforço da vida inteira. A meta (2) assegura que eles estudarão nas melhores escolas, fruto do trabalho. Este passo é fácil de fazer, mas difícil de assegurar que as condições de vida dadas aos filhos sejam as desejadas.

Mas tudo vai sempre correr dentro desse planejamento? Não. Muitos desvios, mudanças de rota, novos objetivos e situações externas acontecerão sem dúvida, mas a pessoa que mantém suas metas, objetivos e roteiro para alcançá-las claros em sua mente tem maior chance de obter sucesso. O caso acima é só um exemplo, cada pessoa deve planejar o seu. O que todos devem ter em comum é a clareza do que se deve fazer, encontrar o propósito da vida, pelo qual se deve lutar.

Uma pessoa que sabe o que almeja para sua vida é protagonista e autora de sua própria história, enquanto a que não sabe o que quer vira coadjuvante e vítima de seu destino. Quem planeja e batalha conquista o que quer, quem não faz nada deve aceitar o que vier.

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