Por que os bancos cobram juros tão altos no Brasil?

acúmulo de capital capitalismo visão distinta

É muito comum ver as pessoas se indignarem (com razão) com a altíssima taxa de juros no Brasil, mas a verdade é que poucos sabem porquê isso acontece – e a explicação é muito simples.

Entenda como é composta a taxa SELIC e sua formação. E como diminuir o montante de juros pagos aos bancos e maximizar o valor pago a você.

Sua realidade pode mudar ao saber esse conceito econômico simples, até para estudantes de sexto ano do fundamental:

O DINHEIRO É UMA MERCADORIA COMO OUTRA QUALQUER, E SEU PREÇO É FORMADO POR OFERTA E DEMANDA.

Após este enunciado, deduz-se mais 5 causas que compõem a nossa taxa elevada:

1 – Fator multiplicador: Os bancos possuem pouco dinheiro próprio, e emprestam preferencialmente o capital alheio. Mais ou menos na proporção de 10 para 1. Isso mesmo: de cada 10 reais emprestados por uma instituição financeira, um é dela e o restante de terceiros. Apesar deste número estarrecedor, o quociente sobe para 12 para 1 ou até 15 para 1 em sistemas financeiros mais desenvolvidos.

Pesquise sobre FATOR MULTIPLICADOR e entenderá que os bancos no exterior podem emprestar mais dinheiro com o mesmo capital, em comparação a bancos brasileiros, e claro que tal redução na quantidade de dinheiro disponível, pressionando a taxa de juros.

2 – Inadimplência: Comerciantes nunca levam prejuízo, banqueiros ainda menos. Eles sabem que uma parcela maior ou menor dos clientes não irá pagá-los, então repassam o custo da inadimplência para os juros. Assim, os bons clientes pagam pelos maus. O impacto pode chegar a 20% na taxa em carteiras com alto índice de calote, e a repercussão nas taxas da economia giram em torno de 5% para cobrir os maus devedores. Todos pagam.

3 – Governo grande e gastador: Um corolário do enunciado principal consiste na influência da demanda por dinheiro na taxa de juros, e o poder público sempre será o principal agente econômico em qualquer país. Um  governo barato tende a reduzir o custo dos empréstimos para todos.

No Brasil, infelizmente ocorre o contrário. Temos um estado enorme e caríssimo, fruto de 30 anos de governos socialistas. Não obstante o forte aumento na carga tributária total, de 25% em 1985 para 42% atualmente, a arrecadação nunca foi suficiente para alimentar um governo em contínua expansão, extremamente voraz por mais e mais dinheiro obtido por meio de emissão de títulos públicos.

Com 25 anos de déficits constantes e crescentes do principal agente econômico, o Governo Federal, a pressão na taxa de juros se mostra enorme e temos por aqui a melhor remuneração do mundo aos investidores, acima de 10% ao ano por quase toda a história recente.

Governos de esquerda, como os do PMDB, PT e PSDB tendem a valorizar estados grandes e paternalistas com muitas benesses proporcionadas pelo Estado controlado pelos políticos, como aposentadorias gordas a toda a população, programas sociais, subsídios a indivíduos não-produtivos e a projetos sem retorno econômico, máquina inchada com muitos cargos comissionados, recursos gastos sem eficiência e/ou critério e empresas estatais ineficientes. Este é o retrato do Brasil, no qual a participação do Estado na economia supera um terço do PIB e ultrapassa os 50% em diversos estados.

Políticos inconsequentes sabem que seu mandato termina e não responderão pelo estrago que fizerem, deixando a conta para os sucessores e confiam na impunidade. Gastam como se não houvesse amanhã e sua voracidade por dinheiro emprestado consiste no principal motivo pelo qual os juros são tão altos no Brasil.

4 – O brasileiro é um povo consumista e poupa muito pouco: Um alívio para o problema da farra que os governantes fazem com o dinheiro público seria atenuada, caso o povo brasileiro tivesse uma cultura de poupança forte como a de alemães e japoneses. Porém, passamos grande parte da nossa história em um ambiente de hiperinflação, a qual exigia que os recursos financeiros fossem gastos imediatamente sob risco de destruição do poder de compra.

O Plano Real eliminou o motivo, mas a memória inflacionária e o consumismo persistem. O brasileiro poupa muito pouco e muitos ainda acreditam que o hábito de poupar é ruim, preferindo gastar todo seu dinheiro em bens de consumo. Pior ainda, adoram uma compra parcelada, financiada a juros altíssimos. Compram imóveis e veículos com financiamentos a perder de vista. Pegam todo o tipo de empréstimo a taxas altíssimas. Passam meses pagando juros escorchantes no cheque especial e no cartão de crédito. 60 milhões de adultos estão endividados, e 40 milhões estão inadimplentes e quase 10 milhões estão insolventes – se venderem tudo o que têm, continuam com dívidas.

Somada à voracidade do governo está somada a voracidade dos consumidores por dinheiro emprestado, geralmente para fazer dívidas sem valor em cartão de crédito, automóveis, viagens, motocicletas ou simplesmente para torrar. Como as pessoas físicas não possuem os privilégios de empresas e poder público para tomada de crédito, pagam taxas de juros altíssimas e pressionam ainda mais o custo do dinheiro e engordam os lucros dos bancos.

Longe de advogar em favor dos bancos, mas é óbvio que o consumismo e falta de educação financeira do brasileiro médio contribui fortemente para que os juros sejam tão altos no Brasil. Os posts abaixo falam sobre o efeito do comportamento do povo sobre a economia do país:

A culpa que os cidadãos têm em engordar os lucros dos bancos

Dívida e consumismo: as drogas mais nocivas à sociedade

Educação Financeira: a matéria mais importante das escolas brasileiras

5 – Falta de confiança dos estrangeiros no governo brasileiro: Historicamente, o Brasil sempre dependeu de investimentos estrangeiros – diretos e indiretos – para financiar a economia local. Ora, se o governo e o povo não fazem poupança suficiente para atender à demanda de crédito, precisamos usar a poupança de outras entidades. Precisamos usar a poupança dos gringos.

Por outro lado, não existe almoço grátis. Eles sabem que nosso país oferece mais riscos que em outros mercados, e exigem prêmios maiores ou menores a depender da situação fiscal, política e econômica do país. Em tempos de bonança, eles exigem menos remuneração para trazer o dinheiro para cá, mas ficam cautelosos de fazê-lo no meio do caos financeiro atual. Assim, levam os dólares embora para preservá-los de riscos institucionais e exigem juros mais altos para trazê-los.

A esquerda radical odeia os investidores estrangeiros, mas exige somas gigantescas de recursos para financiar seu projeto de poder. Acredita que o povo deve emprestar os recursos para eles, mas como um povo pobre, sem emprego e de mentalidade consumista pretende poupar algo? Negam que são reféns dos “especuladores malvados estadunidenses”, mas é a baixíssima confiança que eles depositam em nossos políticos, partidos e instituições que fazem aumentar a taxa de juros, prejudicando a todos.

CONCLUSÃO

Para haver solução efetiva dos problemas brasileiros e debates construtivos, não podemos aceitar respostas simplistas e emocionais para problemas complexos. Culpar os bancos, os ricos, os “especuladores”, a “elite”, a “burguesia”, a economia internacional, os EUA, o socialismo, os políticos, o PT, o PSDB, o Lula, a Dilma, o Temer, o FHC ou o que (ou quem) quer que seja não responde essa pergunta. Os posts abaixo mostram a importância de estudar economia para discutir qualquer assunto político:

Entender economia básica: pré-requisito para discutir política

Recado aos cidadãos mais abastados e instruídos do Brasil

Não é necessário ser PhD em economia, mas a maioria dos debates sobre o assunto exigem conhecimentos básicos desta importante ciência.

A pessoa que quer discutir política sem saber economia é cega, surda e manca. (Autor Desconhecido)

.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s