Por que uns têm tanto e outros não têm nada?

ricos x pobres diferença

Uma das queixas mais frequentes na face da Terra é: por que uns têm tanto e outros não têm nada? Qualquer pessoa que estudou os fundamentos de economia das diversas escolas sabe a resposta, e ela é muito simples de entender e vale para indivíduos, empresas e nações.

Ela se baseia em apenas uma diferença, da qual todo o resto deriva. Alguns têm muito e outros não têm nada por causa da:

MENTALIDADE DE CONSUMO

X

MENTALIDADE DE INVESTIMENTO

OU

PRODUTORES

X

CONSUMIDORES

Tanto ricos como pobres desejam consumir o que há de melhor no mercado, mas há um conceito que os ricos compreendem muito bem e passa despercebido para os que não prosperam:

“PARA QUE HAJA CONSUMO, É NECESSÁRIO PRODUZIR OS BENS PRIMEIRO”

Parece óbvio, mas poucos tomam conhecimento de algo tão elementar. Por outro lado, o objetivo final de todos os bens produzidos reside na satisfação das necessidades humanas. Traduzindo em miúdos, o consumo sempre será a razão de toda e qualquer produção.

Assim, alguns agentes econômicos compreendem que prosperarão se produzirem bens e serviços. Então, eles aplicarão o dinheiro obtido em seu trabalho em meios de produzir: máquinas, computadores, imóveis, veículos para transportar cargas e passageiros, softwares, compra de matérias-primas e mercadorias e outros insumos para gerar algo procurado pela sociedade. Isso se chama INVESTIMENTO.

Gastos não são todos iguais. A principal diferença entre uma despesa de consumo e de investimento consiste no fato de que a primeira destrói a riqueza do consumidor e a transfere para as mãos do produtor, aquele que investiu na produção ou comércio do bem ou serviço transacionado.

Uma aplicação em investimento tem como objetivo a geração de renda e/ou ganho de capital, ou seja, um gasto que aumenta a riqueza daquele que detém o bem, serviço ou habilidade.

Para que uma família, empresa ou sociedade possa aumentar seu poder de consumo, ela precisa aplicar seus recursos em investimentos que gerem aumento de patrimônio e renda. Aí reside a principal diferença entre os que têm muito e os que não têm nada:

Ricos investem em bens que geram patrimônio e renda antes de aumentar seu nível de consumo. Os pobres gastam todo o seu dinheiro em bens de consumo.

Os ricos também compreendem que a sociedade é composta de indivíduos que produzem mais bens e serviços do que consomem – os chamados produtores – e de outros que consomem mais do que produzem – os consumidores. Esta classificação independe da renda e patrimônio atuais, mas das escolhas de como cada pessoa aplica seu dinheiro.

Alguém que ganha R$ 1 mil mensais e gasta R$ 800, se enquadra como produtor, enquanto outra com renda de R$ 50 mil a cada 30 dias, mas com despesas de R$ 55 mil no mesmo período se considera uma consumidora de recursos. Assim, pode-se chegar a uma conclusão simples:

PRODUTORES PROSPERAM E CONSUMIDORES EMPOBRECEM EM LONGO PRAZO.

Para mostrar como funciona na prática, vamos utilizar dois exemplos: um comparando as escolhas financeiras de duas pessoas que nasceram ricas e outro com duas que nasceram pobres, muito pobres. E os impactos de longo prazo em sua prosperidade.

Exemplo 1: Dois irmãos, Felipe e Rafael, provenientes de uma família empresária, donos de uma metalúrgica. om acesso a todos os melhores bens, serviços, viagens e festas disponíveis. Esta possui vasto patrimônio familiar, mas eles seguem caminhos opostos. Ambos recebem uma grande soma em dinheiro e um imóvel de seu pai, ao completar 18 anos.

Felipe opta por utilizar o recurso para comprar uma participação na empresa familiar, injetando o recurso em sua produção, ao mesmo tempo que decide trabalhar nela. Decide alugar o imóvel que ganhou de presente, auferindo outra fonte de renda, e continua morando na casa da família. O recurso aplicado lhe rende R$ 8 mil mensais. Rafael debochava dele, afirmando que estava jogando fora sua juventude.

Rafael se muda para o apartamento que ganhou, e decide desfrutar dos prazeres da vida. Gasta o dinheiro recebido em carros, viagens, festas, baladas, passeios, bebidas e bens de luxo de todos os tipos. Consome todo o recurso em dois anos e volta a depender do auxílio da família para bancar seu estilo de vida. Despreza as atividades da empresa familiar e evita o trabalho.

Dezessete anos depois, falece o patriarca da família. Plenamente treinado, Felipe já havia assumido o comando há cinco anos, devido aos problemas der saúde do pai, o qual considerou que estava preparado para a missão. Dava de ombros com os deboches do irmão, pois sabia que havia feito a melhor escolha e já colhia os frutos.

Após muitos anos de trabalho duro, inovação e investimento em produção, os negócios cresceram oito vezes. Do apartamento recebido ao atingir a maioridade, foram comprados outros quatro apenas reinvestindo o dinheiro dos aluguéis, aumentando a renda para 70 mil reais mensais. Havia atingido a independência financeira e poderia fazer o que quisesse da vida. Decidiu levar a riqueza da família a um nível jamais conquistado.

Por sua vez,  Rafael ficou preocupado com o falecimento do pai que o sustentava. Apenas após os 30 anos se deu conta do tempo perdido e que precisava cuidar da carreira. Com renda irregular, dependia da família para manter as viagens, bens de luxo e festas que tanto valorizava. Não queria trabalhar na empresa, ainda mais com o irmão como chefe. Mas também não sabia o que fazer para preservar seu padrão de vida.

Então, Felipe propôs a compra de sua participação na empresa, a qual herdou de seu pai. Conhecia o negócio como ninguém, e desejava pagar uma faculdade no exterior para sua filha com os dividendos extras da compra das cotas.

Rafael ficou muito feliz com a sugestão, pois ganhava munição para continuar sua vida de playboy e aceitou prontamente. Procurava não pensar no futuro, pois o valor era o suficiente para sustentar seus luxos por cinco anos, prazo para pensar em sua vida profissional, posto que se aproximava dos 40 anos e tinha dois filhos pequenos para educar. Desejava lhes prover os bens mais luxuosos e viagens para o mundo todo, nos próximos dois anos.

E o tempo segue sua marcha, e cada um obteve os resultados de suas ações. Antes de atingir os 50 anos, Felipe já era muito mais rico do que seu pai jamais fora, alavancando a pequena empresa de 25 empregados na qual iniciou a carreira aos 18 anos em uma corporação de 1200 colaboradores, com ações em bolsa.

Rafael colheu o que plantou: o dinheiro da venda das cotas foi gasto com seus desejos de consumo e de sua família e não houve uma boa colocação profissional como esperado. Em diversas ocupações como guia de viagens, vendedor de carros de luxo e terminou como corretor de imóveis, não ganhando o suficiente para manter o antigo padrão. Sempre que recebia um ganho extra, corria para as compras e fazia uma viagem para o exterior.

Teve de vender o imóvel em bairro nobre ganho aos 18 anos para pagar dívidas e foi morar de aluguel em um local mais afastado. Tirou os filhos do colégio de elite e os matriculou em outro de classe média, no qual os alunos tinham hábitos bastante diferentes. Mantinha o gosto refinado e conhecia todas as melhores marcas, mas seu padrão havia sido reduzido de rico para classe média, compatível com sua situação.

Ao observar a magnífica condição de seu irmão, passou a se revoltar. Ao observar a prosperidade de Felipe e as dívidas a se acumular, passou a achar o mundo injusto e afirmava que o pai o havia preterido. Ignorava o fato de que ambos ganharam o mesmo presente aos 18 anos e que optou por não entrar na empresa da família, e todas as oportunidades que teve de gerar renda. Ao optar pelo prazer imediato na juventude, já havia colhido sua recompensa e não havia mais nada a colher se nada de novo fosse iniciado.

Esta é a prova de como ricos podem atingir outro nível de prosperidade ou descer à pobreza devido às suas escolhas, mesmo iniciando com as mesmas oportunidades.

O exemplo 2 também se inicia na empresa do pai de Felipe e Rafael, quando seu pai contratou dois trabalhadores para sua pequena metalúrgica, Wilson e Roberto, aproximadamente da mesma idade dos filhos do dono, mas de origem humilde. Ambos iniciaram na mesma função – auxiliar de mecânico – com o mesmo salário em seus primeiros empregos. Nada tinham além de sua vontade de começar sua vida e carreira.

Funcionários dedicados, trabalhavam com o entusiasmo típico dos jovens. Porém, as mentalidade eram totalmente opostas. Wilson optou pelo consumo, e gastava seu dinheiro de rapaz trabalhador em festas, bebidas e roupas. Ao fazer 18 anos, comprou uma moto. Assim que obteve alguns aumentos salariais, financiou um automóvel. Viajava bastante e estava sempre na companhia de amigos e mulheres bonitas.

Havia a possibilidade da promoção de auxiliar para operador de máquinas, mas era necessário fazer um curso técnico para obtê-la. Tal formação exigia longas horas de estudo e frequentar a escola à noite e nos finais de semana. Wilson considerava o sacrifício grande demais, mas Roberto pensava diferente.

Ao observar o ótimo padrão de vida de seu patrão, Roberto resolveu ser ousado e perguntar a ele como havia conseguido “chegar lá”. Satisfeito com o interesse do jovem, muito semelhante ao de seu filho Felipe, respondeu:

Use o dinheiro do seu salário para comprar coisas que te rendem mais dinheiro. Esteja sempre se aprimorando e aprendendo algo novo.

E disse que havia um cargo de operador de máquinas, mas que deveria ser ocupado por um funcionário com diploma de curso técnico. O salário era três vezes maior que o de auxiliar. E completou dizendo que ele poderia comprar o próprio torno ou fresadora para fazer os próprios componentes. Desta conversa nasceu o seu projeto, oposto ao de Wilson.

Roberto se matriculou no curso e passou a poupar o máximo que podia de seu salário, com o foco em comprar sua máquina. Assim como aprender a operá-la. Muito bacana na teoria, mas a prática exigia muitas renúncias.

Era muito amigo de Wilson, o qual viajava para a praia com os amigos em muitas sextas-feiras após o expediente, com o porta-malas de seu carro lotado de carnes e caixas de cerveja. Suas redes sociais estavam repletas de fotos de momentos felizes. Roberto passava seus fins de semana estudando e praticando o que aprendeu nos tornos, fresadoras e esmeris de sua escola. Durante a semana, assistia às aulas até as 23 horas, enquanto seu colega estava descansando ou em algum bar ou festa.

Roberto não tinha carro, andava dois quilômetros da estação de trem até sua casa para economizar a passagem e raramente comprava roupas ou sapatos. Racionava absolutamente tudo pelos objetivos de obter a promoção para operador mecânico e comprar sua primeira máquina, o que conseguiu após dois anos e meio poupando metade de seu salário. A promoção veio logo após a conclusão do curso técnico.

Com o crescimento da atividade do patrão, Roberto começou a produzir em casa com sua máquina, o excedente da demanda em sua horas livres. O pai achava que Wilson podia aprender muito com o operador recém-formado e sua máquina de segunda mão, com produtividade menor que as da fábrica de seu pai. Porém, o colega não se interessou em abrir mão de seu lazer, mas Felipe, o filho do patrão, resolveu assumir a tarefa com Roberto e aprender sobre a atividade da empresa.

Rafael riu do irmão ao ver o equipamento antigo e de operação difícil, em um quarto escuro e quente em uma casa de periferia. Jamais sairia do conforto de sua casa para  Wilson disse que não ia dar em nada, e que não abriria mão dos prazeres da vida para ganhar uns trocados. Não trabalharia com alguém que nem carro tinha e se vestia com farrapos.

Como forma de incentivo aos jovens, a metalúrgica adquiria e revendia toda a produção daquela máquina antiga. Com a renda obtida, logo os jovens compraram uma novinha em folha, de última geração e passaram a fornecer componentes para a metalúrgica. Roberto pediu demissão e abriu a própria empresa, mantendo o acordo com o ex-patrão e novo cliente, e Felipe continuou na empresa de sua família após o aprendizado. Construíram uma amizade para toda a vida e seus negócios caminhavam juntos.

Wilson continuou em sua função na metalúrgica, mas decidiu fazer o curso técnico ao observar o progresso do colega, que já havia comprado seu carro, à vista, e vestia roupas novas. Como pretendia se casar, começou a fazer trabalhos eventuais na empresa de Roberto e horas extras para seu patrão. Por outro lado, não abria mão das viagens cada vez mais caras e de trocar de carro todo ano. Acreditava que não valia a pena deixar de curtir o dia de hoje, pois não sabia se estaria vivo amanhã.

Assim como os filhos do patrão, os amigos de origem humilde obtiveram resultados muito distintos. Roberto prosseguiu com sua parceria com o ex-patrão e seu filho Felipe, ao passo que conquistou novos clientes e prosperou. Ficou rico. Proporcionou excelente padrão de vida aos seus dois filhos, os quais estudam no mesmo colégio dos filhos de Felipe e viajou bastante. Comprou uma bela casa e sua família sempre está junto dele. Decidiu fundir sua empresa à metalúrgica e hoje é sócio de Felipe, criando sinergia entre os dois negócios. Abriu uma loja para sua esposa e filhos e possuem recursos aplicados para lhes garantir independência financeira.

Com três filhos para criar, Wilson achava que seu salário não era suficiente. Decidiu que também iria comprar máquinas para montar sua metalúrgica. Como não possuía capital acumulado, iniciou sua empresa com empréstimo bancário. Como não havia estudado gestão de negócios, logo foi à falência e ficou com uma dívida enorme.

Precisou vender seu automóvel e eletrodomésticos para quitá-las. Tirou os filhos da escola particular. Nunca viu necessidade de ter a casa própria e preferiu morar de aluguel, mas não pôde mais pagá-lo após a bancarrota e foi morar na casa do sogro com a esposa e os três filhos. O pequeno salário dela permitia que fizessem o mais essencial, mas não viajaram mais nem fizeram as tão conhecidas festas e churrascos.

Wilson optou pela mentalidade de consumo e não construiu patrimônio nem renda extra. Atualmente, presta serviços de hidráulica para a mesma imobiliária na qual Rafael é corretor. Suas escolhas focadas no hoje e no agora travaram sua prosperidade. Apesar das boas lembranças da juventude, vive uma vida dura e de escassez, pois já colheu os frutos de suas escolhas.

A mentalidade de investimento transformou Roberto de pobre em rico. A mentalidade de consumo fez Wilson permanecer na pobreza.

Esta é a diferença de pessoas com mentalidade de consumo – como Rafael e Wilson – e da mentalidade de investimento – como Felipe e Roberto.

Felipe nasceu rico e sua mentalidade de investimento o tornou ainda mais rico, aproveitando as benesses do dinheiro de forma sustentável.

Rafael teve as mesmas oportunidades de seu irmão, mas suam mentalidade de consumo tolo o tornou pobre em longo prazo.

Roberto nasceu pobre e sua mentalidade de investimento o tornou sócio de seu patrão e levou sua família à prosperidade por buscar usar seu dinheiro para a produção de algo valorizado pelo mercado.

Wilson também nasceu pobre como Roberto, mas optou por desfrutar os prazeres da vida antes de construir algo mais duradouro como Roberto fez. Pessoas com mentalidade de consumo preferem usufruir o quanto antes, mesmo que não tenham recursos para isso.

RESUMO DA HISTÓRIA

A MENTALIDADE DE CONSUMO TORNA OS RICOS POBRES E OS POBRES PERMANECEREM NA POBREZA. A MENTALIDADE DE INVESTIMENTO TORNA OS POBRES RICOS E OS RICOS AINDA MAIS RICOS.

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