Uma visão distinta sobre o envelhecimento: a quarta idade

Nos anos 40 e 50 do século passado, o termo terceira idade passou a ser utilizado para descrever pessoas com mais de 55 anos.

Essa abordagem teve origem em dois avanços ocorridos após a segunda guerra mundial: o avanço da medicina no combate a doenças infecciosas e o desenvolvimento dos sistemas previdenciárias estatais. A partir deles, a expectativa de vida foi aumentada de 45 anos para cerca de 70 em poucas décadas, podendo desfrutar de um momento de descanso no fim da vida.
Após a infância e adolescência, a fase adulta, houve um crescente número de pessoas que chegaram ao período de repousar e aproveitar os frutos de uma vida de trabalho. A essa última fase, deu-se o nome de terceira idade.

Como de praxe na marcha irrefreável do progresso da humanidade, estamos vivendo o início de um novo aumento da expectativa de vida, graças ao maior conhecimento sobre cuidados com a saúde, prática de exercícios físicos, redução de trabalhos insalubres e perigosos, redução de mortes violentas e melhoria nas condições de infraestrutura básica.

Mesmo que mais lentamente, os países mais desenvolvidos já possuem expectativa de vida média próxima aos 90 anos. Indivíduos centenários são uma realidade em cada vez mais famílias. Em nações emergentes, o fenômeno já se manifesta de forma incipiente, especialmente entre as classes média e alta. Assim, inicia-se a discussão sobre a quarta idade.

Grosso modo, as fases da vida são divididas em períodos de 25 anos. Daí a origem dos termos primeira, segunda e terceira idade. Na prática, os intervalos não possuem duração tão rígida, devido à individualidade.

Alguns têm a infância encurtadas e entram em seu período produtivo já na adolescência, enquanto outros o fazem após os 30.

Analogamente, alguns chegam à velhice por volta dos 50 anos e param de trabalhar, ao passo em que outros chegam aos 80 de forma produtiva.
A sociedade passa por duas mudanças nos costumes: adiamento da entrada dos jovens no mercado de trabalho e postergação da aposentadoria, frequentemente acima dos 75 anos.

 O corolário das alterações consiste em um aumento no período produtivo do cidadão comum, entre os 25 e 75 anos, juntamente com o aumento da longevidade, resultam na criação do conceito da quarta idade.
Porquanto fenômeno ainda recente, seus impactos e desdobramentos ainda são pouco conhecidos da maioria da população, mas o número de estudos sobre o tema crescem a passos largos. As áreas de conhecimento as quais demonstram maior interesse são a de saúde e, pasmem, a financeira.

Delas surgem dois grandes desafios: a de proporcionar qualidade de vida para essas pessoas e prover recursos materiais para que vivam o melhor período de suas existências com prazer e dignidade.

E você, o que acha da idéia de viver 100 anos? E de planejar a quarta idade?

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2 ideias sobre “Uma visão distinta sobre o envelhecimento: a quarta idade

  1. geridoc

    Gosto da sua visão sobre a quarta idade, mas não julgo que a nossa sociedade esteja preparada. Os estados do Brasil e de Portugal não olham para esta temática como olham em Inglaterra, por exemplo, onde o sênior é um humano valioso.
    Não vejo debates em volta desta temática para proteger este cidadão nem vejo resposta a problemas crescentes relacionados com a senescência:
    – O stress do cuidador
    – O foco na carreira e o desaparecimento do cuidador informal
    – O preço crescente dos acessos aos cuidados de saúde primários

    Temos de preparar a quarta idade, concordo absolutamente com sua visão, no entanto, antes, teremos de cuidar da nossa terceira idade. Qual a sua opinião? A sociedade estará pronta para viver 100 anos? Eu penso que não.

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    1. Pedro H. L. Guerra Autor do post

      Naturalmente, uma sociedade baseada em uma visão de curto prazo não está preparada para pessoas com expectativa de vida de 100 anos. O objetivo desse artigo é ajudar a propagar a necessidade desse despertar.

      A sociedade japonesa já sente os efeitos do aumento da longevidade, em conjunto com a queda da natalidade. Daqui a vinte ou trinta anos, vamos cair em uma armadilha demográfica que levará todas as previdências sociais do mundo à bancarrota, sem exceção.

      Se as pessoas não voltarem a ter mais de dois filhos por casal, todas as sociedades do mundo civilizado podem entrar em colapso.

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