Educação Financeira: a matéria mais importante das escolas brasileiras

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É unanimidade o fato de que a educação brasileira passa por um péssimo momento, caindo nos rankings mundiais ano a ano. Hoje, estamos melhores apenas que a Indonésia e atrás de muitos países com renda per capita muito inferior à nossa. O descaso do Estado com a educação se mostra evidente e as mais variadas propostas são apresentadas.

Todos sabem que os conhecimentos mais valiosos não se aprendem na escola. Mas se eu pudesse escolher apenas uma matéria para acrescentar em todos os currículos, do ensino fundamental ao pós-doutorado, eu escolheria esta:

EDUCAÇÃO FINANCEIRA

 O motivo para esta escolha é muito simples:

Não é possível ter sucesso em nenhuma profissão sem Educação Financeira.

Ela se mostra a disciplina mais democrática e essencial em todas as áreas, para todas as pessoas de qualquer idade, gênero, raça, cor, classe social, origem, nacionalidade, formação e atuação profissional. Complementa todas as demais.

Para os vestibulandos e jovens em idade de escolher seu futuro profissional, não importa a área de formação. Se educar financeiramente é mandatório, pois gerenciar recursos financeiros se mostra uma habilidade requerida por todos os indivíduos. São numerosos os casos de profissionais brilhantes em seus campos de atuação, com ganhos anuais superiores a seis dígitos, mas com problemas financeiros crônicos.

Neste artigo, explico porquê não podemos depender do governo ou de terceiros para buscar o conhecimento que precisamos:

Se você quer educação de qualidade, não vá para a escola!

Por mais alta que seja sua renda, se encontram às voltas com bancos e demais credores de forma permanente, em estado contínuo de preocupação e tensão. Muitos executivos gerenciam com maestria os recursos da empresa, mas não demonstram o mesmo cuidado com os próprios. O desenvolvimento de bons hábitos financeiros e a busca do conhecimento na área trará mais liberdade e tranquilidade do que simplesmente mais renda, pois deve-se combater a causa, não os sintomas.

Nos tempos atuais, de grave crise econômica, está em voga a busca por um emprego público. Os salários atrativos e a estabilidade são uma promessa de tranquilidade e segurança. Infelizmente, estas se concretizam para pouquíssimos servidores, pois a grande maioria se encontra às voltas com todos os tipos de dívidas e problemas financeiros. Uma epidemia que se alastra entre os trabalhadores estatais é o crédito consignado.

Tal modalidade, baseada na garantia do recebimento dos vencimentos, se mostra vantajosa devido à menor despesa com juros, mas o que ocorre é o abuso deste tipo de empréstimo, com diversos casos de servidores presos na armadilha de insolvência (quando o valor das parcelas supera o salário). Por outro lado, um pequeno grupo constrói notável patrimônio e alguns ficam ricos, pois adquirem ativos e bens que geram renda extra baseados nos salários. E o que eles sabem além dos demais? Educação Financeira.

Para os bravos brasileiros que optaram pelo caminho do empreendedorismo e abriram o próprio negócio, a Educação Financeira se mostra ainda mais primordial. Segundo pesquisa realizada pelo SEBRAE, a maioria das micro e pequenas empresas que quebram têm a falta de conhecimento sobre finanças como principal causa. Independentemente do setor de atuação, faturamento e número de clientes e empregados, todos os patrões terão que gerenciar recursos, sem exceção.

A maior exposição desses profissionais aos ciclos econômicos, regulações governamentais e mudanças no comportamento do consumidor causam enormes variações em seus ganhos, levando a uma maior necessidade de conhecimento, a fim de garantir a sobrevivência da empresa. Sempre lembrando que dezenas de famílias dependem dos recursos gerados pela empresa para seu sustento, incluída a do próprio empreendedor.

Quem trabalha em empresas sabe que os salários se mostram parecidos entre os colaboradores, mas observa claramente que o padrão de vida varia enormemente entre pessoas de renda e configuração familiar parecida. Também há casos em que um chefe de uma família de quatro pessoas goza de melhor padrão de vida em relação ao colega solteiro, sem filhos e que mora na casa dos pais. Qual o diferencial? Educação Financeira.

A escolaridade influencia menos no sucesso de uma pessoa que a Educação Financeira. No livro Pai Rico, Pai Pobre, o autor Robert Kiyosaki discorre sobre as diferenças entre seus dois pais, o Pai rico (o pai de seu melhor amigo), e o Pai pobre (seu pai biológico). Pai pobre tinha pós-doutorado e era professor universitário. Mesmo com uma renda alta, vivia quebrado. Pai rico abandonou a escola na quinta série, mas se educou financeiramente e construiu um império de um bilhão de dólares.

Assim, prova-se que a escolaridade influi pouco no sucesso financeiro de uma pessoa. No mercado financeiro, os operadores, executivos e demais profissionais possuem enorme conhecimento sobre investimentos, mas a maioria não enriquece. Entre os famosos economistas de renomadas universidades, os quais dão entrevistas sobre dinheiro todos os dias nos principais canais de TV, rádio e internet, a maioria deles desfruta das mesmas condições financeiras da grande massa da população, a despeito do enorme conhecimento acadêmico. Isso ocorre porque falta o básico: o comportamento financeiro que os leva a poupar e investir.

Na vida real, pode-se observar diversos casos de pessoas de pouca escolaridade, as quais exercem profissões humildes, mas com inteligência financeira desenvolvida. Com persistência, disciplina e perseverança, progridem paulatinamente, a despeito da renda baixa. Sempre salvando uma parte de seus ganhos antes dos gastos, valores como R$ 100 ou R$ 200 por mês, atingem notável prosperidade em poucos anos, simultaneamente ao investimento em qualificação profissional e valorização de sua mão-de-obra. São pessoas aparentemente simplórias, mas com grande prosperidade. Pois possuem Educação Financeira.

Por outro lado, profissionais com altos ganhos, tais quais médicos, juízes, artistas e atletas famosos vivem quebrados, por mais dinheiro que ganhem. A esmagadora maioria dos ganhadores de prêmios de loteria voltam à condição inicial após pouco tempo. A maior parte de nós conhece alguém com salários ou pró-labore na casa dos cinco dígitos, mas que vivem preocupados e enrolados com seus credores, morrendo de medo de ter seu padrão de vida ruir. Infelizmente, o destino é implacável e tais pessoas vivem muitos altos e baixos, com um triste fim, caso não se eduquem financeiramente ou o façam tarde demais.

No fim das contas, este último perfil costuma ter redução drástica em seu padrão de vida. E ficam saudosos dos “bons tempos”, frequentemente dependendo da assistência de parentes na velhice. Alguns se redimem e buscam o conhecimento financeiro, e dão a volta por cima. Retomam o antigo patamar ou conquistam condição melhor, desta vez de maneira sustentável. Outros optam por um novo estilo de vida, priorizando aquilo que mais valorizam. Mesmo vivendo em um padrão mais simples, se sentem mais realizados e o estresse e preocupação ficam no passado.

Aqueles que não puderam ir à escola ou universidade na juventude, mas aprenderam as leis do dinheiro, desfrutam de excelente padrão no final da vida, ao mesmo tempo em que outros vivem períodos difíceis, apesar de terem sido abastados no passado. Podemos concluir que a renda mensal não determina o futuro, mas a inteligência financeira. Ela faz pessoas humildes e sem escolaridade se tornarem magnatas. Sua falta reduz notáveis empresários, profissionais renomados, poderosos e doutores instruídos a miseráveis.

Infelizmente, a educação formal ignora tal fato e condena a maior parcela da população a viver abaixo de seu potencial. A disseminação da Educação Financeira é um ponto fundamental para reduzir a pobreza de forma definitiva. A melhoria da qualidade de vida e o progresso de uma sociedade depende de seu conhecimento sobre finanças, a exemplo da antiga Babilônia, a qual foi a maior potência financeira da história da antiguidade.

As leis do dinheiro são conhecidas há seis milênios, mas foram esquecidas pelos contemporâneos. Auxílios governamentais se mostram medidas paliativas para os problemas de prosperidade do povo brasileiro. Fazendo uma analogia, se um indivíduo sofre da doença da pobreza, ajuda de pais, filhos, outras pessoas e do governo se mostram uma analgésico. Tira a dor, mas não elimina a moléstia. A Educação Financeira é a cura.

Somente a Educação Financeira elimina a pobreza.

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2 ideias sobre “Educação Financeira: a matéria mais importante das escolas brasileiras

  1. Pingback: Por que os bancos cobram juros tão altos no Brasil? | Visão Distinta

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