Entender economia básica: pré-requisito para discutir política

economistas

A despeito de todo o caos instaurado pelos governos do PT e PSDB no Brasil, um efeito positivo tem vindo à tona, mesmo que de modo incipiente: o aumento do interesse do brasileiro pelas questões políticas.

Por outro lado, a falta de conhecimento sobre política pela população como um todo prejudica o debate, pois todos tentam discutir sobre um tema muito complexo sem os fundamentos teóricos necessários.

Por incrível que pareça, os cidadãos mais instruídos se mostram ainda menos capacitados ao debate, por não estar em contato com a realidade nua e crua da economia real ou por terem sido expostos a doutrinas perniciosas como o marxismo, keynesianismo, socio-construtivismo e outras aberrações criadas por intelectuais. Infelizmente, o efeito do estudo dessas matérias resulta no contrário do esperado: o estudante fica MENOS capacitado a discutir política, pois utiliza uma base teórica falsa, sem correspondência com a realidade. Na prática, se mostra mais ignorante em comparação com alguém que nunca estudou.

Este post fala sobre como nossos graduados, mestres e doutores são semianalfabetos políticos, em sua grande maioria:  Recado aos cidadãos mais abastados e instruídos do Brasil

O aumento do interesse da população na vida política é um bom começo, mas se realmente quisermos avançar no debate, buscar conhecimento sobre o assunto é fundamental. Propositalmente, os partidos do Foro de São Paulo limitaram o ensino apenas aos autores socialistas e/ou estatistas que admiram, como Marx, Keynes e Piketty, escondendo e distorcendo teóricos liberais como Adam Smith, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Milton Friedman, Ayn Rand e Thomas Sowell, os taxando de “neoliberais”.

Mas então, se queremos subir o nível da discussão, o que precisamos estudar em primeiro lugar?

A resposta é simples:

ECONOMIA

A grande maioria das pessoas se assusta ao falar de economia, devido à tradição de assistir os profissionais falando em jargões complicados ao mesmo tempo em que fazem previsões pessimistas, pontuadas por um infinidade de números e indicadores. Passam a impressão de ser algo dificílimo e que demanda uma vida inteira de estudo para se obter uma mínima compreensão. A boa notícia é que isso não é verdade.

Outro ponto responsável pela rejeição popular às ciências econômicas reside no ponto de ela se relacionar ao dinheiro, assunto ainda tabu em pleno século XXI. Como a maior parte da população enfrenta problemas em relação às próprias finanças, desejam evitar o assunto o máximo que podem. Com tal postura, cometem dois erros: se privam de melhorar sua realidade por não buscar educação financeira e se excluem do debate político por desconhecerem a matéria de maior peso na gestão de um país, formando opiniões superficiais e, frequentemente, copiadas de algum professor, parente ou artista de TV, sem embasamento próprio.

A boa notícia é que o cidadão comum não precisa estudar por décadas para aprender economia básica, assim como seus fundamentos podem ser compreendidos por qualquer pessoa, inclusive crianças e adolescentes. Conhecimentos avançados em matemática e estatística são necessários apenas para os especialistas, pois as matérias aprendidas no ensino fundamental capacitam o eleitor comum a compreender o essencial. Nos parágrafos abaixo, segue uma descrição dos principais assuntos que todo brasileiro precisa saber sobre economia – e como são fáceis de entender:

1 – Microeconomia: a economia do dia-a-dia. A lei de oferta e demanda, que mostra como os preços são formados e por que eles sobem e caem. O que é consumo, poupança e investimento, e como eles interferem na economia local, nacional e mundial.

2 – Macroeconomia: a economia de um país e dos governos. Entendê-la é fundamental para assistir o telejornal. Entender como funcionam as contas públicas e a atuação do governo, como se mede o crescimento econômico, inflação, taxa de juros, influência dos impostos e a relação do estado com as famílias, empresas e outros países. Quando discutimos relações internacionais, os acordos comerciais entre nações ou blocos econômicos exigem bons conhecimentos de macroeconomia, juntamente com geopolítica.

3 – Teoria da empresa: qualquer pessoa que procura ou possui um emprego compreende que uma empresa contrata trabalhadores de acordo com as leis de oferta e demanda detalhadas na microeconomia, as quais são afetadas pelo cenário macroeconômico. Encabeçando o processo, há a figura do empreendedor, o grande responsável pela tomada de decisões de negócios, buscando o atendimento das demandas dos consumidores de forma a maximizar seus ganhos e buscando o crescimento e perpetuação de sua companhia.

Não logrará sucesso sem contratar bons funcionários, alocar investimentos corretamente e buscar o aprimoramento de seus produtos e serviços, agregando valor e conhecimento de maneira incremental. Aqui, o cidadão compreende que apenas a produção de bens de capital e patrimônio trará progresso à sociedade e a fundamental importância das empresas em seu desenvolvimento.

4 – Teoria dos mercados: essa parte gera ojeriza à quase totalidade da população, pois se trata da parte que discorre sobre a influência do mercado financeiro, de capitais e dos bancos na economia como um todo. Pelo fato de o sistema financeiro se mostrar cheio de brechas, ineficiências e disfunções, foi o causador de dezenas de crises desde o início do capitalismo. Por outro lado, age como indutor do desenvolvimento ao financiar projetos os quais seriam inviáveis sem a intermediação financeira das instituições.

A aquisição de bens de capital como imóveis e máquinas seria brutalmente reduzida caso pudesse ser financiada apenas com dinheiro próprio. Financiamentos bancários permitem antecipar investimentos e facilitam a captação de recursos para empresas via bolsas de valores e mercados de capitais. Taxas de câmbio, juros, fluxo de investimentos e preços de produtos básicos como petróleo, milho e boi gordo são tratados na teoria dos mercados.

O estudo do funcionamento dos mercados financeiros se mostra fundamental, pois políticos inescrupulosos distorcem seus conceitos para fazer proselitismo político, por também não o compreenderem ou por pura má-fé. Devido aos muitos problemas envolvendo banqueiros, investidores e especuladores internacionais, o ensino sobre os mercados tem sido feito de forma equivocada, principalmente pela prevalência dos docentes ligados à doutrina marxista e keynesiana, abertamente anti-mercado e pró-estado.

5 – Teoria dos governos: neste ponto, estuda-se a influência do governo na economia nacional com suas políticas fiscal e monetária, sua tendência ao aumento ou enxugamento da máquina pública, sua predisposição ao estímulo ao investimento, à redução da regulamentação e da burocracia, ao livre mercado e ao incentivo da inovação proveniente da sociedade civil. A recíproca é verdadeira e causa efeitos distintos.

A relação entre governos e o confronto entre seus princípios também causa impactos econômicos significativos, e a compreensão deste tema se encontra em conjunto com os assuntos macroeconômicos, juntamente com questões geopolíticas e ideológicas.

Questões sobre cobrança de impostos e os serviços que o Estado deve fornecer ao cidadão se mostram objeto de grande controvérsia. Ideólogos de esquerda defendem uma alta carga tributária, com a contrapartida do fornecimento estatal de todos os bens e serviços essenciais. Por outro lado, os liberais afirmam que os governos devem fornecer apenas os serviços de prestação exclusiva, como segurança, justiça e educação básica, e deixar o restante ao cargo da sociedade civil. Com a contrapartida de baixa carga tributária, deixando o indivíduo livre para escolher de quem adquirir o que precisa.

Novamente, políticos de má-fé tendem a fazer a defesa de um Estado grande e inchado, ao mesmo tempo em que combatem o livre mercado, com o intuito de se perpetuarem no poder e desfrutar das benesses governamentais o máximo que puderem. Via de regra, se valem do discurso maniqueísta de que um governante que se preocupa com os pobres precisa combater o capitalismo que explora e exclui os mais pobres, enquanto os mais ricos se locupletam e ampliam a desigualdade social. Afirmam atuar em nome do bem-estar do povo, mas na verdade pensam apenas em si mesmos, não se importando com o resultado de longo prazo, o qual costuma ser trágico como o que vivemos hoje, no Brasil de 2016.

6 – A imperfeição do capitalismo e a inviabilidade do comunismo/socialismo: eis um debate de mais de 100 anos, mas que ainda está em discussão: a defesa do socialismo em oposição ao capitalismo, e vice-versa. Todos que frequentaram as escolas tiveram algum contato com os dois sistemas antagonistas, apesar que de forma tendenciosa e distorcida, nas esmagadora maioria das vezes.

Infelizmente, as massas aprendem sobre capitalismo e socialismo com professores de esquerda, os quais tendem a demonizar o primeiro e endeusar o outro como a solução para os problemas do mundo. A parte mais paradoxal destes docentes consiste na total ausência de um país socialista, comunista, fascista ou nazista que obteve resultados melhores que qualquer país capitalista. Soma-se a isso que a maioria dos defensores do comunismo não obtiveram sucesso pessoal, mas  afirmam ter as respostas para melhorar o mundo ao mesmo tempo em que não conseguem resolver os próprios problemas de sua vida bagunçada. Enfim, lutam por algo que não deu certo em nenhum país nem em sua vida pessoal.

Ludwig von Mises provou teoricamente a inviabilidade do socialismo em 1915, dois anos antes da Revolução Russa e a prática provou que ele tinha razão. Ainda assim, esmiuçou todas as disfunções do capitalismo à época, as quais geraram diversas crises por motivos parecidos. Seus estudos foram corroborados por diversos teóricos como Ayn Rand, Thomas Sowell e Milton Friedman e provam que o capitalismo é um sistema evolucionário, ao contrário das doutrinas vermelhas, as quais pregam uma revolução, cujo resultado consiste em miséria e milhões de mortes, invariavelmente.

Os defensores do sistema capitalista sabem que este sistema evolui lenta e constantemente, e esmiúçam as suas imperfeições e gargalos, buscando soluções para sua melhoria. Constantemente, ideias malfadadas são criadas por liberais, como foi o caso da securitização de carteiras de crédito, o qual terminou na crise do subprime em 2008, cujos efeitos sentimos até agora. Nos anos 70, esteve em voga uma teoria a qual pregava que o aumento da inflação impulsionava o crescimento das economias. A hiperinflação vivida até 1994 no Brasil provou que a ideia se mostrava estapafúrdia e foi abandonada.

Diferentemente dos socialistas, os liberais não se apegam a ideias que não funcionam. Uma vez refutadas, as esquecem e procuram novas, mais eficientes. Curiosamente, os esquerdistas se apegam ao comunismo de maneira ferrenha, mesmo com todos os cases de fracasso. Sempre acham que se tentarem novamente vai dar certo, no melhor estilo “dessa vez vai ser diferente”. Ignorando a lei de causa e efeito, insistem em usar a mesma ação esperando outro resultado, e claro que fracassam. A Venezuela está aí para provar que o socialismo não pode dar certo.

Resumindo: o capitalismo precisa ser reestudado e revisitado por aqueles que desejam participar de um debate político de alto nível, ensinado por pessoas que realmente o conheçam a fundo e tenham obtido bons resultados pessoais através dele. Sua explicação de forma isenta e racional se mostra fundamental, e o mesmo vale para o socialismo.

Comunistas insistem em dizer que o socialismo real deu errado porque o socialismo ideal foi deturpado. O famoso “deturparam Marx”. Nada mais falso. Não deturparam Marx, ele simplesmente criou uma teoria furada, que não existe no mundo real. Só isso. Assim como o capitalismo ideal – aquele defendido pelos libertários e anarco-capitalistas – também deu errado. Deturparam Adam Smith. Mesmo assim, o capitalismo real trouxe resultados infinitamente melhores a toda a população mundial e não há sofisma ou artifício retórico da esquerda que refute isso. Fato inquestionável.


CONCLUSÃO

Uma vez despertado o interesse da população por política, precisamos todos estudar mais sobre o assunto, assim como seu principal correlato, economia. O PT e PSDB fizeram questão de sucatear a educação, com o intuito de se manter no poder e deixar o povo na ignorância, incluindo os universitários e portadores de diplomas de pós-graduação, mestrado e doutorado. Precisamos reverter esse quadro e praticar nossa auto-educação.

O povo brasileiro foi colocado dentro de uma caixa ideológica de esquerda e recebeu educação política e econômica totalmente distorcida e equivocada, com base nas diretrizes do MEC, controlado pelo Foro de São Paulo. Alguns estudantes insatisfeitos com o material oficial foi beber em outras fontes, como Olavo de Carvalho, Percival Puggina, Thomas Sowell, Ayn Rand e muitos outros, contrários ao mainstream dos intelectuais de esquerda.

Precisamos avançar muito em conhecimento para discutir política. O primeiro passo é entender os fundamentos de economia, pois tem um enorme potencial de expandir a compreensão de muitos assuntos da vida, como profissão, empreendedorismo, finanças pessoais, educação financeira, geografia, relações internacionais, agricultura, indústria, comércio, defesa, investimentos e…política. Pela sua polivalência, ela abrange uma miscelânea enorme de temas os quais se encontram inter-relacionados e trazem aumento de compreensão ao estudante, melhorando seu nível cultural de maneira global. É disso que o Brasil precisa.

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2 ideias sobre “Entender economia básica: pré-requisito para discutir política

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