A culpa que os cidadãos têm em engordar os lucros dos bancos

lições mais importantes sobre finanças

Este é o momento de revolta contra os bancos, seus lucros e o consumismo do povo brasileiro, que os alimenta. Todos reclamam que os bancos ganham muito dinheiro e exploram a população, mas se recusam a mudar comportamentos que alimentam esse quadro. Há muita hipocrisia e ignorância por parte dos brasileiros com relação aos bancos.

Mas preciso falar que as instituições financeiras ganham bilhões por aqui por um único motivo:

A FALTA DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA DO POVO BRASILEIRO

O cidadão médio fica indignado com os bilhões embolsados pelos bancos, seus acionistas e administradores, mas continua passando o mês inteiro no cheque especial e parcelando faturas de cartão de crédito. Financia carros em 60 meses, e paga três vezes o preço à vista do bem. Compra imóveis em 30 anos e também paga o triplo. Pegam empréstimos a 5% ao mês e muitos consignados, e quando quita um, pega mais dinheiro. E ainda racionalizam:

  • Ah, mas posso pagar em 30 anos.
  • A parcela cabe no meu bolso.
  • Se eu não fizer dívida, nunca vou ter nada!
  • Ganho muito pouco. Sem cheque especial não dá para passar o mês.
  • Todo mundo tem dívidas, por que eu não posso ter?
  • Não faz mal que não tenho dinheiro para comprar, eu passo no cartão de crédito

Citando apenas meia dúzia de infinitas desculpas. O fato é que o banco adora pessoas com essa mentalidade, pois são as vacas leiteiras que permitem que eles cobrem juros escorchantes, taxas absurdas e explorem o cliente incauto cada vez mais, sem que ele perceba ou até goste disso. Muitos se revoltam quando o banco corta as linhas de crédito por excesso de endividamento, pois preferem pagar encargos absurdos, mas continuar se comprometendo. Os banqueiros adoram esses cordeirinhos que fornecem ganhos fáceis.

Eles adoram dinheiro fácil, como aquele crédito que se contrata no caixa eletrônico, sem falar com o gerente. O que eles não sabem é que a facilidade de tomar o empréstimo faz com que ele seja muito mais caro. Assim, o cliente paga 6% ao mês de juros em um empréstimo que ele pagaria 2% se fizesse um consignado, se fizesse o pequeno esforço de ir à agência falar com o gerente. O banco agradece a preguiça desses clientes, pois assim os lucros são mais gordos.

De todos os clientes, os preferidos dos bancos são aqueles que passam o mês inteiro no cheque especial e pagam até 12% ao mês de juros. Lucro fácil. O sistema faz tudo, desde a liberação do crédito até a cobrança, sem mobilizar um funcionário sequer. Por tabela, o cidadão que usa essa linha de crédito ajuda o governo, pagando de IOF quase o mesmo valor dos juros. O mesmo vale para os cartões de crédito, com juros de até 400% ao ano. Isto é, você financia R$ 1.000 hoje e paga R$ 5.000 de juros daqui a um ano. R$ 1.000 de principal e R$ 4.000 de encargos financeiros. Os bancos adoram isso, e quanto mais plásticos, melhor. Receitas fartas e fáceis de manter.

Aí alguém vai dizer: “O dinheiro é meu e eu faço o que quiser! Você não tem direito de dar palpites na vida dos outros!”. Verdade. Todos devem ter liberdade de viver como preferir.

Mas vale ressaltar que as pessoas que se comportam como os exemplos acima não podem reclamar de os bancos cobrarem muitos juros e ganharem bilhões, pois são elas que alimentam os lucros e contribuem para manter os juros altos como estão. São as responsáveis por manter as coisas como estão.

Então você quer que os bancos ganhem menos? Faça a sua parte. Se a população quiser fazer uma rebelião contra os bancos, basta tomar as medidas abaixo:

  • Cancele seu cheque especial. Viva apenas com o seu dinheiro, não use o do banco. Cheque especial é um empréstimo como outro qualquer, só que muito mais caro. Corte o barato do banco, gaste apenas seus recursos próprios e se recuse a alugar o dinheiro dele.
  • Quebre seus cartões de crédito. Caso não seja possível, pague sempre o total da fatura. NUNCA pague o mínimo, pois os juros são extorsivos. Ao sinal de qualquer problema de endividamento nesta modalidade, se livre os plásticos. Não dê dinheiro fácil para o banco, compre à vista.
  • Compre somente à vista, viva dentro de suas possibilidades. Bancos ganham muito dinheiro com parcelamentos, mesmo quando é “sem juros”. Não existe almoço grátis. Se ele não cobra juros de você, está cobrando de outra pessoa. Ou embutiu no preço do produto. Fora as taxas embutidas. Os bancos torcerão o nariz se você comprar à vista, pois deixarão de lucrar muito.
  • Cancele aquele pacote de tarifas com serviços desnecessários e contrate apenas aquele que você precisa. Se usa muito caixa eletrônico e internet banking, abra uma conta digital, que não paga nenhuma taxa. Não alimente a fonte fácil de receita com tarifas e você corta o barato do banco.
  • Não mantenha dinheiro na poupança. Além de render menos que a inflação, os recursos ficam à disposição para uso discricionário da instituição. Enfim, aplicar na caderneta é dinheiro fácil para os bancos. Aprenda e pesquise sobre investimentos e assim você vai maximizar os seus ganhos, não os do banco.
  • Se eduque financeiramente. Faça cursos sobre finanças e controle seu orçamento com mão de ferro. Se acostume a trabalhar apenas com o seu dinheiro, sem alugar o do banco. Empréstimo é aluguel de dinheiro. Você não tem dinheiro para gastar, então gasta o de outra pessoa, o banco. E como qualquer aluguel, isso custa muito caro. Não ceda a qualquer desejo de consumo sem planejamento e faça reservas de emergência. Usando apenas recursos próprios, ainda recebe juros sobre o excedente. Portanto, os bancos ganham menos com pessoas financeiramente organizadas. 

Assim como os usuários de drogas não podem reclamar da violência gerada pelos traficantes, os viciados em empréstimos não podem se queixar dos juros altos cobrados pelos bancos. Parafraseando Capitão Nascimento: “Muitos inocentes precisam morrer para um playboy fumar um baseado”. E muitas pessoas de baixa renda precisam pagar juros escorchantes para um consumista poder continuar comprando a crédito.

O objetivo deste post não é defender os bancos, mas justamente o contrário: evitar que os bancos ganhem tanto. Ao contrário dos impostos, que são compulsórios, os empréstimos bancários se mostram totalmente voluntários, isto é, o cliente só faz se quiser. A grande questão reside na falta de educação financeira dos indivíduos, o qual alimenta o status quo. Se todos tivesses o orçamento em ordem e buscassem educação financeira, os bancos lucrariam muito menos. Portanto, se você está sempre endividado, pega empréstimos frequentemente, usa cheque especial, parcela fatura de cartão de crédito, não tem investimento e não controla as suas contas pessoais, você é parte do problema. Você é o responsável pelos bancos ganharem bilhões e pelos juros serem altos, juntamente com o governo gastador e irresponsável.

Está é uma verdade inconveniente, mas que precisa ser conhecida por todos. 

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Uma ideia sobre “A culpa que os cidadãos têm em engordar os lucros dos bancos

  1. Pingback: Por que os bancos cobram juros tão altos no Brasil? | Visão Distinta

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